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quarta-feira, abril 08, 2015

De novo os ratos (e não só...) da Berlenga!


https://www.facebook.com/luis.vicente.5602/posts/10152752520198837

...recordo-me que ele, Jean Dorst, dizia aquando da classificação da Berlenga como Reserva Biogenética do Conselho da Europa, que a sua população de rato-preto, só por si, justificava essa classificação. Luís Vicente



Parece que de novo a sanha "vingadora"se voltou contra os simpáticos ratos da Berlenga, de seu nome Rattus rattus mas conhecido por Rato-preto. Conta a história que se instalou na ilha há centenas de anos e por lá ficou por conseguir sobreviver com pouca água doce, ao contrário do seu primo Rattus norvegicus, mais conhecido pela Ratazana-do-esgoto.
E porquê esta vontade de destruir este bichinho que faz parte integrante do ecossistema insular, com um papel, seguramente, definido e cujo crime é apenas... existir? Pois parece que incomoda os campistas, aqueles que estão lá em número muito superior ao legal, que deixam comida ao seu alcance e que acham que têm mais direitos que os outros...animais!

Claro que haverá quem diga que o rato é prejudicial à biodiversidade insular, que é igual ao do continente, que pode transmitir doenças... mas fazem-no sem qualquer suporte científico, sem suporte legal, ignorando a importância natural deste ecossistema, agredido estupidamente em nome de "lucros" financeiros (e não só, digo eu) e supostos direitos humanos que serão mais importantes que os da biodiversidade.
Para esses, apenas digo que não sabem fazer contas: sem biodiversidade não há valor de paisagem e vão perder a galinha dos ovos de ouro. E digo mais: vão estudar biologia, já que o projecto que prevê o "controle" de espécies "invasoras predadoras" (!!!!) deveria ser baseado em suporte científico. Haja paciência para ler tamanhos disparates como este das "invasoras predadoras".

Deixo-vos com as palavras de quem mais sabe sobre este ecossistema, o Professor Doutor Luís Vicente, Biólogo, que, tal como eu, ficou estupefacto com este projecto "Life Berlengas", que de life pouco tem...

"E DEPOIS DOS BALÕES... OS RATOS...
Não chega lançar balões em defesa do ambiente... agora parece que anda por aí um bando de meninos ignorantes faustosamente subsidiados por outro bando de eurocratas sem cultura que se propõe eliminar a população-relíquia de rato-preto das Berlengas (atenção, não é a ratazana dos esgotos das nossas cidades). Uma população-relíquia!!!
Recordo-me que o Prof. Jean Dorst (pioneiro das lutas de conservação da natureza, director do Museu de História Natural de Paris, segundo presidente da Fundação Charles Darwin para as Galápagos, vice-presidente da Comissão de Protecção das espécies ameaçadas da UICN, autor do paradigmático “Antes que a Natureza Morra”), recordo-me que ele, Jean Dorst, dizia aquando da classificação da Berlenga como Reserva Biogenética do Conselho da Europa, que a sua população de rato-preto, só por si, justificava essa classificação.
Continuem meninos, continuem a proteger a natureza, lancem balões e exterminem populações naturais.
Ah, e não se esqueçam, já que estão agora nas Berlengas, acabem com outra população relíquia, a dos coelhos protegidos por carta régia de D. Afonso V em 1465.
Viva a ignorantocracia...


quinta-feira, agosto 12, 2010

Ainda os ratos da Berlenga

Não me conformo, como cidadão e como Biólogo, com o crime ambiental que a Câmara Municipal de Peniche está a levar a cabo nas Berlengas! A denúncia da situação tem que ser veemente e é o que tenciono fazer, quer junto das autoridades nacionais (coniventes, seguramente) quer junto das instâncias comunitárias, já que como Reserva Biogenética do Conselho da Europa, somos responsáveis perante mais de 200 milhões de pessoas pela salvaguarda da biodiversidade daquele santuário da Natureza.

E para que todos fiquem informados, saibam que o tóxico que está a ser utilizado (Bromadiolona) é proibido, a nível europeu, pela sua toxicidade, inespecificidade e capacidade de contaminação ambiental.

A utilização deste veneno viola claramente a Directiva 92/43/CEE do Conselho da Europa (Jornal Oficial nº L206 de 21 de Maio de 1992, págs 0007-0050) sobre a preservação da vida selvagem.

A vitamina K, antagonista com a bromadiolona e que é, pomposamente, referida como antídoto, tem a sua venda proibida nas farmácias portuguesas! Só nas farmácias hospitalares e em situações especiais se consegue arranjar, apesar de ser totalmente inócua para a saúde humana. As razões desta proibição são curiosas, mas não cabem aqui. O que interessa é que se alguém ingerir bromadiolona, só no hospital se poderá tratar! Nem os veterinários a podem adquirir!

Estamos pois, perante um CRIME ambiental, que urge denunciar, pois a Câmara Municipal de Peniche está deliberadamente a matar uma população relíquia de uma espécie com características únicas e que pela legislação da própria Reserva está totalmente protegida, para além das disposições internacionais sobre biodiversidade que o estado português assinou.

quarta-feira, agosto 11, 2010

Abate indiscriminado de uma população relíquia de Rattus rattus


Já tenho escrito que o Homem, único ser inteligente na Terra, prima por usar os neurónios da maneira mais estúpida possível!
A Reserva Natural das Berlengas é disto um exemplo: em poucos anos, deixámos extinguir um réptil único, por não cumprimento de programas acordados com investigadores e sem que se levantasse um dedo para tentar salvar a população de Timon lepidus. Entretanto, dão-se reformas chorudas e enterra-se o dinheiro dos contribuintes em bancos.
O coberto vegetal da Berlenga, de rara sensibilidade e enorme valor conservacionista, está de tal forma debilitado devido ao excesso de gaivotas que nitrificam os solos com os seus dejectos, que é uma pálida imagem do que foi há 15 anos! Contudo, insiste-se de forma pouco inteligente em nada fazer para reduzir o número de efectivos adultos na ilha, optando-se por medidas populistas de pseudo-controle de ovos!
E agora, se isso não bastasse, dizima-se a população de Rato-preto, uma população relíquia ainda mal estudada, de enorme valor conservacionista, que não oferece qualquer perigo para a população humana e que até podia constituir uma mais-valia num eco-turismo inteligente! Assim mesmo, sem estudos nem avaliações e sem pensar nas consequências da introdução na cadeia alimentar de veneno anticoagulante, proibido pelo Anexo IV da Convenção de Berna (estamos a falar de uma população natural) e que causa uma morte lenta por hemorragias aos animais.
E já agora, desde quando é que a Câmara Municipal de Peniche se substitui ao ICNB na gestão de populações naturais?

E depois admiram-se de a Candidatura a Reserva da Biosfera ter sido reprovada...