Os serviços de Ecossistema de que depende o nosso bem-estar, ou seja, os benefícios que retiramos de Ecossistemas saudáveis, pela importância de que se revestem para a sobrevivência do Homem na Terra, deveriam merecer da parte dos partidos políticos uma atenção especial e ocupar um lugar de destaque nos seus programas eleitorais.
Como até ao momento ainda não ouvi uma única palavra dos candidatos sobre as questões de Conservação da Natureza e da Biodiversidade, nem tão pouco dos jornalistas (!?), fui dar uma vista de olhos pelos sites dos 3 principais partidos, para ver o que diziam os respectivos programas...
... e fiquei convencido que de facto, o meio ambiente e a biodiversidade foram mandados às urtigas por todos!! Menos de 2 páginas no programa do PS e apenas lugares comuns, coisas dispersas no programa do PSD, e no do CDS... bem, não consegui encontrar o programa do CDS no seu site, o que me entristeceu, pois nutro alguma simpatia pelo discurso do Paulo Portas.
Admito que foi uma pesquisa rápida, mas não é suposto o programa "saltar" logo à vista??
Que o PS deixou cair a bandeira da conservação da natureza, já o sabia desde há muito, dado o esvaziar do ICN, hoje B... (dantes havia um A!).
As Áreas Protegidas estão abandonadas, sem vigilância que se veja, em especial aos fins de semana, os atentados à Conservação são cada vez mais e ficam impunes, deixam-se extinguir espécies sem que se tomem medidas, permite-se que verdadeiros santuários da Natureza sejam "geridos" pelas Câmaras, que da poda nada sabem - Berlengas será o caso mais flagrante, com aumentos "estudados" da capacidade de carga da Reserva, legalizando assim o excesso de pessoas que irregularmente são transportadas para a Ilha por um número anormal de empresas marítimo-turísticas, que se licenciaram sem que houvesse condições para tal!
Mas que os outros partidos também pouco ou nada, sobre esta matéria, inscrevam nas suas intenções governativas, admira-me. Porque assim, estamos a hipotecar o nosso futuro. Não investir na Biodiversidade é o maior erro que estamos a cometer. Por ignorância ou por estupidez, tanto se me dá. Só espero que um dia os responsáveis paguem pelo que estão a fazer hoje
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sábado, maio 28, 2011
quinta-feira, setembro 17, 2009
As Berlengas... e a falta de memória.
Um destes dias vi a repetição de um programa "Biosfera", dedicado às Berlengas... Que fique clara a minha admiração pela RTP2 e pela produção do programa, único digno dedicado à causa da sustentabilidade neste terceiro calhau a contar do Sol. Mas...
Há sempre um "mas", alguém disse um dia. E neste caso o "mas" deve-se ao facto de os intervenientes no programa, em particular os entrevistados, já que os jornalistas serão muito jovens (mas não serve de desculpa...), falarem dos problemas que afectam aquele arquipélago como se tivessem descoberto a pólvora...
Podia escrever páginas e páginas sobre o assunto, mas vou ser sintético e MUITO claro... os leitores que comentem e opinem....
Em tempos, realizou-se na Berlenga a maior acção de Conservação da Natureza que alguma vez foi realizada em Portugal, quer pela dimensão de recursos utilizados, humanos e materiais, quer pelo enorme impacto que teve junto da opinião pública e política deste país. Levou 4 anos a preparar, meticulosamente, com um rigor quase militar, e promoveu junto da opinião pública e da população de Peniche mais de 120 acções de esclarecimento e debate.
Refiro-me à "Operação Larus", destinada a controlar os efectivos adultos da população nidificante de Gaivotas na Ilha da Berlenga. E sabem porque é que se realizou esta operação? Porque o excessivo número de efectivos na Ilha estava a colocar em causa a biodiversidade única daquele local. Foram retirados 20000 adultos à população, tendo o seu número baixado para 23000 aproximadamente.
E sabem que mais? Desde 1988 (pelo menos) que os responsáveis na altura pelos destinos da Reserva andavam a alertar para a diminuição da população de Airos, da população de Lagartos e da excessiva nitrificação dos solos, com a consequente invasão de plantas guanófilas.... E à conta destes alertas, as lixeiras a céu aberto tiveram um fim antecipado neste país, pois alimentavam as gaivotas... e à conta destes alertas, foram orçamentadas várias acções no PIDDAC e nos fundos comunitários para se recuperar a biodiversidade da Ilha, nomeadamente aquelas que agora parece terem sido descobertas pela primeira vez, como o controlo de Chorão....!
Vamos ficar por aqui hoje, não sem referir que candidatar a Berlenga a Reserva da Biosfera já tinha sido feito nos anos 90 (foi chumbado...), que projectar instalar energia solar se chamou Valoren e foi chumbado para a Ilha pelo Conselho Geral da Reserva devido ao impacto visual na altura, e que abastecer o Bairro de água através de dessalinização só não continua a fazer-se.... porque a dessalinizadora instalada em 1994 foi literalmente abandonada....
Ou seja, a memória dos homens é curta e por causa dela repetem-se estudos, duplicam-se esforços, gastam-se recursos a mais e manda-se para o lixo uma experiência riquíssima que um monte de Biólogos e outros técnicos acumularam em papel que hoje ninguém parece saber onde pára.
Talvez por isto os lagartos mencionados no "Biosfera" já se tenham extinguido....
Há sempre um "mas", alguém disse um dia. E neste caso o "mas" deve-se ao facto de os intervenientes no programa, em particular os entrevistados, já que os jornalistas serão muito jovens (mas não serve de desculpa...), falarem dos problemas que afectam aquele arquipélago como se tivessem descoberto a pólvora...
Podia escrever páginas e páginas sobre o assunto, mas vou ser sintético e MUITO claro... os leitores que comentem e opinem....
Em tempos, realizou-se na Berlenga a maior acção de Conservação da Natureza que alguma vez foi realizada em Portugal, quer pela dimensão de recursos utilizados, humanos e materiais, quer pelo enorme impacto que teve junto da opinião pública e política deste país. Levou 4 anos a preparar, meticulosamente, com um rigor quase militar, e promoveu junto da opinião pública e da população de Peniche mais de 120 acções de esclarecimento e debate.
Refiro-me à "Operação Larus", destinada a controlar os efectivos adultos da população nidificante de Gaivotas na Ilha da Berlenga. E sabem porque é que se realizou esta operação? Porque o excessivo número de efectivos na Ilha estava a colocar em causa a biodiversidade única daquele local. Foram retirados 20000 adultos à população, tendo o seu número baixado para 23000 aproximadamente.
E sabem que mais? Desde 1988 (pelo menos) que os responsáveis na altura pelos destinos da Reserva andavam a alertar para a diminuição da população de Airos, da população de Lagartos e da excessiva nitrificação dos solos, com a consequente invasão de plantas guanófilas.... E à conta destes alertas, as lixeiras a céu aberto tiveram um fim antecipado neste país, pois alimentavam as gaivotas... e à conta destes alertas, foram orçamentadas várias acções no PIDDAC e nos fundos comunitários para se recuperar a biodiversidade da Ilha, nomeadamente aquelas que agora parece terem sido descobertas pela primeira vez, como o controlo de Chorão....!
Vamos ficar por aqui hoje, não sem referir que candidatar a Berlenga a Reserva da Biosfera já tinha sido feito nos anos 90 (foi chumbado...), que projectar instalar energia solar se chamou Valoren e foi chumbado para a Ilha pelo Conselho Geral da Reserva devido ao impacto visual na altura, e que abastecer o Bairro de água através de dessalinização só não continua a fazer-se.... porque a dessalinizadora instalada em 1994 foi literalmente abandonada....
Ou seja, a memória dos homens é curta e por causa dela repetem-se estudos, duplicam-se esforços, gastam-se recursos a mais e manda-se para o lixo uma experiência riquíssima que um monte de Biólogos e outros técnicos acumularam em papel que hoje ninguém parece saber onde pára.
Talvez por isto os lagartos mencionados no "Biosfera" já se tenham extinguido....
domingo, abril 12, 2009
Conservar a Natureza: porquê?
"NÃO PODEMOS ESPERAR MAIS"
Já lá vai o tempo em que os homens podiam alegar desconhecimento, ou mesmo ignorância, sobre as consequências que uma utilização desregrada da natureza acarretaria a curto prazo. Nos tempos actuais, tempos de informação em tempo real, a realidade não pode ser ignorada por ninguém. E muito menos temos o direito de ignorar as responsabilidades que a cada um de nós cabem pelos crimes que cometemos, tantas e tantas vezes em nome de um progresso ou de um desenvolvimento a que agora chamam de sustentável.
Como se fosse conceptuável a existência de outro tipo de desenvolvimento!!
Cépticos? Ora façamos algumas contas simples:
Um veículo moderno, a gasolina, emite em média 150 gramas de dióxido de carbono por quilómetro percorrido. Por força da lei, tal valor está profusamente divulgado, pelo que nenhum proprietário pode ignorar que, para uma vida média de 5 anos, na qual vai percorrer 120 000 quilómetros, coloca na atmosfera da Terra qualquer coisa como 18 toneladas de CO2 !!! Multipliquemos este valor pelo número de veículos semelhantes, adicionemos as fábricas, os aviões (sim, os aviões...), etc e o número a que chegamos é mais que justificativo de um degelo anunciado.
Tenho para mim que só quando a água molhar os calcanhares dos distraídos que dão, erradamente, pelo nome de Homo sapiens sapiens, alguma coisa se fará!!
E não se pense que a destruição do património natural é algo recente; as coisas começaram há muitos, muitos anos...
Antes da última glaciação (Würm), já com o Homo sapiens por estas bandas, o nosso território, por exemplo, possuía um clima subtropical húmido, estando coberto por uma floresta de lenhosas sempre-verdes, semelhante à que ainda hoje se observa nos Açores e na Madeira.
Predominavam árvores da família das Lauraceas como o Loureiro, o Til, o Vinhático e o Barbuzano, razão pela qual a conhecemos como Laurissilva (silva=floresta).
Devido ao extremo frio, esta floresta praticamente desaparece, sobrevivendo apenas nas ilhas da Macaronésia, onde o clima ameno se mantém, resultante do isolamento pela água termorregulante. Após as glaciações, novas espécies ocuparam os nichos ecológicos vagos: eram arbóreas lenhosas, predominantemente da família das Fagáceas, como os Carvalhos (Género Quercus), as Faias e os Castanheiros.
Esta Fagossilva alimentou o Lusitano que não conhecia o trigo, fornecendo-lhe caça e frutos, farinha de bolota para o pão, castanhas e verdes.
Com o advento da agricultura e da pastorícia, iniciámos a destruição do coberto vegetal, para campos de pastagem.
Mais tarde, com os descobrimentos, ajudámos a Europa a cometer o maior disparate ecológico de sempre: a destruição de quase toda a floresta.
Cada nau consumia 2 a 4 mil Carvalhos-alvarinho!
Só para as campanhas de Ceuta e Índia construíram-se 1000 naus e para a do Brasil cerca de 500, num total de mais de cinco milhões de carvalhos!
Dir-se-á, pois, que a tendência do homem para a destruição do património natural e, por arrasto, a sua auto-destruição, já vem de longe...
O valor obtido dá-nos a área que destruímos por segundo neste planeta (ainda) azul! Para quem não quis fazer as contas, são qualquer coisa como 6 360 m2 , o equivalente à área do relvado de um campo de futebol!
Mesmo que exista algum exagero nestes números, a realidade é bem cruel: o Homem está a destruir o seu suporte de vida, os ecossistemas de que depende para se alimentar (é à biodiversidade dos sistemas naturais que vai buscar as espécies que cultiva), para respirar, para curar as suas doenças...
E os exemplos podiam continuar quase indefinidamente, mas com que resultados? Passaríamos a adquirir veículos híbridos, menos poluentes? Passariam as multinacionais petrolíferas a investir nas energias alternativas? O governo Americano passaria a assinar e a respeitar todas as convenções e tratados sobre desenvolvimento sustentável?
Não.
A única maneira de arrepiarmos caminho é estarmos conscientes das consequências da nossa actuação. E para isso, há que mudar programas escolares, educar ambientalmente os jovens, ensinar-lhes de pequeninos os valores de que dependem para sobreviver, afinal ensinarem-nos a serem Cidadãos, assim, com um “C” grande. E depois é esperar que a receita produza efeitos. Demora gerações. Demasiadas, temo eu, para tão urgente tarefa que desde há décadas se anuncia.
Para mudarmos de atitude, temos que interiorizar a natureza.
Podemos conhecer os conceitos, ter na ponta da língua definições e termos muito ambientais, em suma, conhecer toda a teoria! Mas nada substitui o contacto com a verdadeira natureza, com cujas lições aprendemos sobre as sensibilidades do seu funcionamento, sobre os segredos da sua persistência em existir para além dos tempos!
E para isso não nos dão tempo. Os valores dos nossos jovens são feitos do plástico dos grandes centros comerciais. Nas grandes cidades há crianças que nunca tocaram uma galinha ou viram uma ave de rapina a caçar. Não distinguem uma laranjeira de uma macieira.
Separa-se o lixo por que é moda – não se sente o gesto! A poluição e o desperdício são termos que não estranhamos.
O Homem, última criação de uma evolução quase perfeita(?), é o único animal que utiliza a Natureza contra si próprio. Dir-se-ia que se orgulha por utilizar a inteligência da forma mais estúpida possível.
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