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quinta-feira, maio 14, 2015

Crime contra a biodiversidade nas Berlengas!!

Esta foto ilustra o que se está a passar numa Reserva Natural, onde alguém mandou matar efectivos da população relíquia de Rattus rattus (rato-preto), que desde há umas centenas de anos terá chegado à ilha e aí se estabeleceu com sucesso e equilíbrio. Jean Dorst, que foi director do Museu de História Natural de Paris, segundo presidente da Fundação Charles Darwin para as Galápagos, vice-presidente da Comissão de Protecção das espécies ameaçadas da UICN, autor do paradigmático de “Antes que a Natureza Morra”, afirmou que só por esta população a Berlenga merecia ser Reserva Biogenética! Jean Dorst era ornitologista!!!

Não perturba nenhuma população, excepto os invasores humanos que teimam em encher a ilha de lixo. O plano de ordenamento da Berlenga salienta a grande importância científica da população e estudos recentes da SPEA, feitos com o recurso a fotografia activada por movimento, dão para este roedor uma percentagem de responsabilidade no disparo das câmaras de apenas 0,113%, sem que se tenha observado algum acto de predação e com apenas um ovo eventualmente predado. Aliás, a população de Cagarra subiu imenso nos últimos 20 anos!!

Então por que raio se está a matar esta população, ainda por cima com um tóxico proíbido?? Quem autorizou este crime? Quem vai ser responsabilizado por esta matança? Sabem que o tóxico pode entrar na cadeia alimentar? E se um humano for afectado?

Aceitam-se propostas de respostas a estas questões (outras se seguirão....)

sábado, agosto 21, 2010

Os ratos da Berlenga -

Respondendo a José Reis...

Caro José Reis,

O problema não são os ratos, mas as pessoas que não deviam ocupar em excesso (supostamente apenas 23 tendas ali deveriam estar) um espaço cujas limitações são óbvias. Os ratos apenas vão ao cheiro da comida e não são cumpridas regras elementares a ter quando se ocupa um lugar natural. Se formos acampar em África, na Savana, não matamos primeiro os leões...

Já agora, uma população natural só é uma praga quando o seu crescimento populacional é superior ao naturalmente esperado, de forma a colocar em causa as outras populações naturais. Normalmente, a origem de uma praga é antrópica, como por exemplo as gaivotas. Não é o caso dos ratos da Berlenga.
Mas SE FOSSE, teria que ser controlada, não por "chatear" os humanos, mas por colocar em perigo a biodiversidade de uma Reserva Biogenética do Conselho da Europa.

Não nos podemos esquecer que estamos numa Reserva Natural, que a própria Câmara considera tão importante que a candidatou, embora sem sucesso, a Reserva da Biosfera. Conforme dizia, teria que ser controlada, mas por métodos cientificamente adequados, sem bromodiolona, um anticoagulante perigoso e proíbido internacionalmente no controle de populações naturais. Repare que o controle que se está a fazer não tem em conta o sexo dos ratos, o "rácio" entre machos e fêmeas abatidos, colocando em causa o equilíbrio da população.

E desta população pouco sabemos, mas sabemos que nos ratos são as mães que tomam conta dos filhos. Apesar de ainda não sabermos muito, temos indícios de que na Berlenga também os pais cuidam dos filhos em cooperação com as mães. Os indícios são poucos, mas a ser verdade será o único sítio NO MUNDO onde isto acontece com o rato-preto.

O Estado português assumiu perante a União Europeia que a Berlenga era uma Reserva Natural. Contudo, permite que se ultrapasse a capacidade de carga humana, não faz vigilância consequente, não protege a Biodiversidade da Ilha. Ao invés, temos cada vez mais marítimo-turísticas a operar, à espera de fazer dinheiro. E isto é incompatível com a conservação da natureza.

Gostava de estar enganado, mas acho que alguém no ICNB e na Câmara Municipal de Peniche não conhece a história da galinha dos ovos de ouro...