segunda-feira, julho 27, 2015

Chamem a polícia...

A SPEA, nas declarações que fez ao Público, volta a disparatar e a perder a pouca credibilidade que ainda teria... É incrível como se pode defender o indefensável, ainda por cima com asneiras atrás de asneiras! E foi a "cientistas" deste calibre que a UE DEU 1,4 milhões de euros?? Quem tinha razão eram os "Trabalhadores do Comércio".....


Partilhado de Anabela Moreira, uma das investigadoras que assinam, conjuntamente com mais 3 dezenas de cientistas, um manifesto que vai dar que falar... Agora fica o seu brilhante comentário à notícia do Público, cujo link está no final!


"O rato-preto da Berlenga é inocente ?"

Este é o titulo com que hoje o Público aborda uma questão de Conservação, Biodiversidade e intervenção humana numa reserva da Biosfera da UNESCO, o arquipélago da Berlenga .
E a resposta só pode ser, como é de lei: SIM, até prova em contrário!

A estória (da erradicação) do rato-preto da Berlenga parece um daqueles policiais de cordel onde antes da sentença transitar em julgado já o suspeito (que não arguido) foi sujeito à pena capital!
Este procedimento não é aceitável em justiça e é óbvio que em ciência também não!

Não vou tecer muitos comentários técnicos acerca do caso, mas não posso deixar de continuar a sentir-me surpreendida do modo como, às vezes, se faz ciência ou se afirmam e repetem certas coisas, talvez na tentativa de que a repetição exaustiva transforme a ideia ou a hipotese de alguém em verdade! Esta não é a Ciência que eu faço, esta não é a Ciência que eu quero!
O rato preto DA Berlenga é culpado por outras espécies não florescerem NA Berlenga? Pois... NÃO SEI!!! Mas quando eu não sei algo vou tentar saber de um modo técnico e cientificamente correcto e SÓ depois teço conclusões que ainda assim se basearão em probabilidades, que nunca chegam aos 100% de certeza!
Na peça do Público podemos ler o Director Executivo da SPEA a argumentar que "Está provado que o rato-preto come as crias das aves marinhas vivas” fundamentando seguidamente com " "Em todo o mundo já foram realizados mais de 1000 projectos que provam o efeito negativo do rato sobre os ecossistemas e que a sua erradicação tem impacto positivo” dando como exemplo projectos de conservação na Madeira e nos Açores. E aqui ficamos a saber que os ecossistemas e todos os factores que os influenciam são iguais e estáticos e que eu a partir de agora sempre que assomar à janela e vir a Berlenga estou também a ver os Açores e a Madeira, para além de todos os outros 1000 lugares onde se fizeram os estudos. Fico também algo preocupada porque por esta ordem de ideias o Homem branco-preto-amarelo-vermelho-côr de rosa deverá ser erradicado do planeta Terra pois parece (com maior probabilidade do que o rato) ser a causa da diminuição drástica da biodiversidade terrestre!
Pegando neste ponto, lemos mais à frente: "...a reserva é visitada por milhares de pessoas anualmente..." o que parece ser uma boa razão para transformar esta população de ratos numa questão de... "saúde pública" mas não para pensar que talvez este seja um dos problemas de alguns bichos de penas não se fixarem ou o seu número não crescer.
Noutro paragrafo: "... "As coisas não são feitas de ânimo leve. Se virmos que o rato é realmente importante para o ecossistema e que não pode ser erradicado, abortamos a operação", admite.[o DirExec da SPEA]" Pára tudo!!!!!! Então... é apresentado um projecto, que é aprovado, onde uma das iniciativas (incluídas e orçamentadas) pode ser abortada por... falta de suporte científico???
E termino esta exposição "facebookeana" sobre o caso com a maior pérola (para mim, que sou da área) ou cereja no topo do bolo, se preferirem: "...Luís Costa contrapõe garantindo apenas que "não serão usados venenos que afectem outras espécies ou que possam causar problemas de saúde pública". Absolutamente BRILHANTE!! E depois desta "garantia" é CLARO eu fiquei "muito mais sossegada" quanto ao valor técnico-científico desta parte do projecto!

Vejam o artigo do Público, visitem o site do Life Berlenga e procurem a parte que respeita à erradicação dos ratos, sigam as informações da comunidade do Facebook cujo link assinalei no inicio, leiam a petição e os comentários e, se assim o entenderem, assinem-na.
"A ausência de evidência não é evidência de ausência" (Carl Sagan) por isso há coisas que não podem ser fundamentadas em crenças mas sim em ciência pura e dura!

"Notícia do Jornal O Público"

sábado, julho 11, 2015

Providência Cautelar contra a erradicação do rato-preto e do coelho na Berlenga

O Eurodeputado José Inácio Farinha, membro efectivo da Comissão para o Ambiente, Saúde Pública e Segurança Alimentar do Parlamento Europeu, anunciou que o seu partido (Partido da Terra) vai entrar na próxima semana com uma providência cautelar contra as acções do projeto Life+ Berlengas que visam o extermínio do rato-preto, do coelho e a remoção total do chorão. Prometeu ainda levar até às últimas consequências, no Parlamento Europeu, a luta contra este crime ambiental.
Durante o debate, os presentes tiveram oportunidade de, pela voz de vários investigadores, ouvir desmontar as afirmações irresponsáveis e que de científico nada têm do projecto Life+ Berlengas.
Infelizmente, a ausência dos promotores do projecto, principalmente a SPEA (que informou não ir estar presente, enquanto os outros nem se deram a esse trabalho), não permitiu o contraditório.
Assim se perdeu a primeira oportunidade de ouvirmos, perante audiência, jornalistas e de viva voz, o que alegam em sua defesa, já que todos os investigadores bateram forte e feio no projecto (no que aos extermínios respeita).
Quanto aos investigadores presentes, já agora, falamos dos Professores Jorge Paiva, Luís Vicente, Anabela Moreira e António Teixeira, para além de eu próprio como ex-técnico da Reserva Natural das Berlengas com responsabilidades na gestão de populações naturais.

Foi produzido por este grupo e assinado por mais uma dezena de investigadores um documento que desmonta toda a argumentação da SPEA. Sabemos ainda que os verdadeiros gurus da Ornitologia mundial estão indignados e se preparam para emitir as suas posições.


sexta-feira, junho 19, 2015

Petição de vento em popa!

Caros, se ainda não leram, está na hora. E se concordarem, assinem. Os ratos da Berlenga são animais inocentes da estupidez humana e o que lhes querem fazer é desumano, desnecessário, mesquinho e revelador de uma diminuta percepção da realidade insular da Berlenga. Resta saber como é que foi possível financiar com 1,4 milhões de Euros um projecto que não apresenta UM único estudo que o justifique! Mas lá chegaremos...

O Partido da Terra e o PAN tomam posições semelhantes

Depois do Partido da Terra ter denunciado a situação e aderido à petição, solicitando esclarecimentos em Bruxelas através do Eurodeputado José Inácio Faria, é agora o PAN que solicita esclarecimentos à SPEA, ao ICNF , à Câmara de Peniche e ao Centro de Estudos de Geografia e Planeamento Regional, que também apoia o projecto Life Berlengas, que todos juntos vamos conseguir impedir!

Rato e pardelas...

Chamo a atenção para o texto extraído do Plano de Ordenamento da Reserva Natural das Berlengas, que tem meia dúzia de anos... Há outro igual sobre o Paínho-da-madeira, que aliás não tem registos históricos de nidificação na Berlenga Grande. Volto a perguntar por que carga de água alguém entregou 1,4 milhões de euros para destruir uma das "jóias da coroa" das áreas protegidas nacionais! Ora leiam:

"Calonectris diomedea - pardela-de-bico-amarelo

É uma espécie marinha de hábitos pelágicos, que apresenta vários núcleos de reprodutores no arquipélago das Berlengas, designadamente na ilha principal, e também nos Farilhões. 

Apesar de estritamente protegida em toda a sua área de ocorrência no território nacional, e de actualmente não serem conhecidas ameaças significativas que afectem esta espécie nos seus locais de nidificação do arquipélago das Berlengas, estes foram incluídos em espaços de protecção máxima no âmbito do PORNB, designadamente áreas de Protecção Total, e áreas de Protecção Parcial (tipo I). 

Juntamente com outras medidas, considera-se que as condicionantes de uso aplicáveis naqueles espaços são adequadas e suficientes para garantir a defesa do habitat de nidificação da espécie.

Importa referir ainda que as áreas de concentração habitual da espécie no mar, próximo dos locais de nidificação no arquipélago, foram também incluídos em espaços de protecção máxima no âmbito do ordenamento da reserva marinha, neste caso áreas de Protecção Parcial. Por fim, importa salientar que não se conhecem interacções negativas para esta espécie que possam ser relacionadas com as actividades de pesca local desenvolvidas nas águas do arquipélago"